UNIEF – RENOVAÇÃO
CULTURA INGLESA – 1 CAMPANHA
Jundiaí e região

Depois de cancelar cirurgias por uma semana, Braille luta todos os dias para sobreviver

O Instituto Jundiaiense Luiz Braille, entidade que atende os deficientes visuais, está numa crise sem fim. Com dívida acumulada de R$ 400 mil, o Braille vive passando o ‘pires’ para sobreviver. A diretoria espera da nova administração um olhar atento à entidade, uma vez que é, em termos de atendimento, a terceira unidade de saúde que mais atende em Jundiaí, ficando atrás apenas do Hospital São Vicente e Hospital Universitário. São 5 mil consultas oftalmológicas por mês. Cirurgias específicas nessa área também são feitas pelo Braille. Esse mês de janeiro, no entanto, por 5 dias, as cirurgias foram canceladas por falta de pagamento com fornecedor.

“É muito triste nossa realidade. Sabemos que prestamos um serviço essencial, mas a conta não fecha. A tabela SUS não é atualizada desde 2003 e, se paga por consulta, R$ 10. Além disso, temos as cirurgias, os outros procedimentos, etc”, lamenta o vice-presidente da entidade, José Carlos Lima.  Semana passada, o prefeito Luiz Fernando Machado fez um repasse às entidades inclusive ao Braille, referente ao mês de novembro. Mas Lima diz que a situação é tão complicada que não ‘refrescou’. Hoje, o Instituto recebe R$ 358 mil por mês. Desse montante, R$ 68 mil são destinados a pagamento de um empréstimo. O ideal, segundo  Lima, é que o convênio tivesse um aumento de R$ 200 mil para suprir essa necessidade.

O Braille já cogitou até fechar as portas há alguns anos. E só não o fez porque a população se mobilizou. Há campanhas de arrecadação de dinheiro, eventos beneficentes, entre outras alternativas para se levantar recursos. Mas ainda não é suficiente. Segundo IBGE, de 2015, o Brasil tem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e seis milhões com baixa visão. Jundiaí não tem esse número preciso.

O que faz o Braille

Com o objetivo de acolher e incluir pessoas com deficiência visual, foi fundado em 20 de dezembro de 1941 o Instituto Jundiaiense Profissional para Cegos “Luiz Braille”. A iniciativa partiu do professor Maestro Mario Chaves, que era cego e sentiu a necessidade de incluir e ajudar pessoas com deficiência visual. Ele reuniu amigos e teve início o atendimento, beneficiando moradores de Jundiaí e região.

Com o passar dos anos, além da profissionalização, passou-se a oferecer a educação acadêmica, que objetivou o início de aulas do método Braille e de ensino de Atividades de Vida Diária (AVD) para o convívio social, atendendo, ainda, assistidos com baixa visão e deficientes múltiplos.

Hoje, o Braille atende em quatro unidades no bairro do Anhangabaú, em Jundiaí, e realiza uma média de 5.000 atendimentos por mês, além de manter um centro de reabilitação reconhecido em todo o Estado. É conveniado com a Prefeitura de Jundiaí, via SUS (Sistema Único de Saúde), e mantido por meio de contribuições financeiras, realização de eventos e doações.

Com uma equipe de 40 médicos oftalmologistas e três médicos anestesistas, o Instituto Luiz Braille presta serviço oftalmológico, e 500 cirurgias por mês, entre as quais de catarata e retina. A estrutura é composta por uma antessala de pré-consulta, onde são realizados os exames de acuidade visual, lensometria automatizada, ceratometria computadorizada e tonometria computadorizada; um consultório exclusivo para atendimento de emergências oftalmológicas e salas para diagnóstico por imagem e tratamento a laser e um centro cirúrgico ambulatorial composto por duas salas cirúrgicas, além de leitos hospitalares de internação.

O Instituto Jundiaiense Luiz Braille está equipado com as últimas tecnologias para oferecer excelência no diagnóstico, prevenção e tratamento da visão aos pacientes usuários do SUS.

Além disso trabalha com reabilitação.  Um dos únicos centros do Estado, a Reabilitação do Instituto Luiz Braille atende, atualmente, 92 assistidos, de recém-nascidos a idosos, com visão subnormal ou deficiência visual total.

O  trabalho envolve a abordagem do indivíduo em seus aspectos sociais, educacionais e de trabalho. A finalidade é capacitar o deficiente para que este mobilize seus próprios recursos e decida o que deseja, o que é capaz de ser, escolhendo seu caminho e atingindo seus objetivos, nas mais diversas especialidades.

A prefeitura

A Prefeitura de Jundiaí, por meio da Unidade de Saúde, informa que reconhece a importância dos serviços prestados pelo Instituto Jundiaiense Luiz Braille e, por isso, mantém ao longo dos anos vínculo com a referida entidade. Atualmente estão vigentes dois convênios e um contrato. São eles: convênio nº 15/2015, que tem como objeto desenvolver ações terapêuticas de prevenção, diagnóstico e tratamento na área de oftalmologia (consultas, exames, procedimentos e cirurgias). A prefeitura afirma, por meio de nota,  que referente a este convênio,  em março de 2015, o mesmo foi aditado de maneira contínua em  24,6%, passando do valor mensal de R$ 287.518,79 para o valor atual de R$ 358.388,02.

Já o convênio nº 16/2015, que tem como objeto desenvolver ações terapêuticas de prevenção e reabilitação aos portadores de deficiência visual tem o valor mensal de R$ 23.202,63. E o contrato nº 70/2016 presta serviços na especialidade oftalmológica, desenvolvendo ações terapêuticas e dispensação de medicamentos ao portador do glaucoma, no valor mensal do convênio de R$ 93.168,68.

A nota informa ainda  que referente a este contrato, em 2016, o mesmo foi aditado de maneira contínua em  25%, passando do valor mensal de R$ 93.168,68 para o valor atual de R$ 116.460,85. E em março deste ano, passará ao valor de  R$ 160.000,00.

Como ajudar

O Braille aceita doações para manutenção dos projetos e atividades. Alimentos e armações de óculos em bom estado podem ser entregues diretamente em nossa entidade. Também é possível fazer uma contribuição espontânea, por meio da conta: Caixa Econômica Federal/ Agência: 1600 /Conta corrente: 03001242-3,  em nome do Instituto Jundiaiense Luiz Braille/ CNPJ nº: 50.958.859/00001-86.

Veja também:

Ser vidente de um cego é desafiador