A Evolução da Poco: Do Básico C65 ao Ambicioso X8 Pro Max

Ciência e tecnologia

A Poco sempre teve aquela pegada de entregar muito cobrando pouco. A gente se acostumou a ver a marca dominando o mercado de entrada e intermediário, mas parece que eles cansaram de brincar só no raso e decidiram mexer as peças do tabuleiro. Para entender o peso do que a empresa está tentando fazer agora com seus lançamentos mais caros, é preciso primeiro olhar para a base que sustenta a marca e como eles tratam os aparelhos mais acessíveis.

Pega o Poco C65 como exemplo, que deu as caras no mercado por volta de abril de 2023. Ele é o retrato cuspido e escarrado do que a fabricante sabe fazer de melhor no segmento básico. Rodando a interface MIUI 14 por cima do Android 13, o aparelho não tenta reinventar a roda. O motorzinho dele é o chipset MediaTek Helio G85 de 64 bits, combinando dois núcleos Cortex-A75 a 2.0 GHz e seis Cortex-A55 a 1.8 GHz. Isso vem apoiado por 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno, que você pode expandir até 1 TB com um cartão MicroSDXC. É aquele hardware honesto, pensado pra não te deixar na mão no uso diário.

A tela é um painel IPS LCD de 6.74 polegadas com proteção Gorilla Glass. A resolução de 720 x 1600 pixels e a densidade de 260 ppi não vão explodir a cabeça de ninguém, mas a taxa de atualização de 90 Hz garante uma fluidez na rolagem que salva a experiência visual. No departamento fotográfico, o sensor principal de 50 MP trabalha em dupla com uma lente de 2 MP. Ele tem autofoco, HDR, detecção facial e um flash LED simples, entregando fotos em até 8165 x 6124 pixels de resolução. Já a câmera frontal fica nos 8 MP com abertura F2.0. Para vídeos, tanto a traseira quanto a frontal gravam em Full HD a 30 fps, mas sofrem um pouco porque a estabilização é puramente digital na traseira e inexistente na frente. O celular pesa 192 gramas e traz um pacote de conectividade bem robusto para a categoria: é Dual SIM stand-by em rede LTE (alcançando 300 Mbps de download e 150 Mbps de upload), tem Wi-Fi ac, Bluetooth 5.3, NFC, leitor de digitais, porta USB-C e uma generosa bateria LiPo de 5000 mAh. Eles limaram o giroscópio e a TV, mas mantiveram o rádio FM e um sistema de localização bem completo com A-GPS, GLONASS, BeiDou e Galileo.

Se o C65 é o porto seguro do custo-benefício, o Poco X8 Pro Max é o salto de fé da marca. Lançado no mês passado na Índia junto com a versão X8 Pro padrão, esse é o primeiro aparelho da empresa a carregar o sobrenome “Pro Max”. O recado é bem agressivo: eles querem te entregar uma experiência de topo de linha sem cobrar o preço de um carro usado. Custando 42.999 Rúpias na versão parrudíssima com 12 GB de RAM e 256 GB de espaço, o celular mira naquele consumidor que exige velocidade absurda e bateria pra dar e vender.

Nós testamos o aparelho a fundo e ele levou uma nota 4.2 de 5, o que já adianta que é um celular excelente, mas com alguns tropeços. A primeira coisa que chama a atenção é o design limpo e meio discreto. Eu usei a versão branca pra fazer esse review, embora eles também vendam em azul e preto. A sacada de mestre aqui foi usar fibra de vidro no painel traseiro em vez de vidro comum, amarrando tudo com uma moldura de metal. O celular passa uma sensação de robustez incrível e passa longe de parecer um plástico barato. O módulo de câmera segue aquele formato de pílula clássico da Poco e fica quase nivelado com a traseira, minimizando o balanço quando você digita com o celular em cima da mesa. A versão branca tem uns toques prateados que casam perfeitamente com o acabamento perolado. Olhando rápido, parece um celular muito mais caro.

Na prática, a tela é simplesmente brilhante e linda, um dos maiores acertos do aparelho. O desempenho é liso, impulsionado por um chipset muito mais capaz que os da linha C, e a bateria é um monstro que aguenta dias mais pesados sem pedir arrego. Só que ele tem seus pecados. O X8 Pro Max é um trambolho pesado na mão, cansando um pouco em chamadas longas ou se você joga deitado. Além disso, o sistema vem entupido de bloatware. É aplicativo inútil que não acaba mais, o que frustra um pouco a experiência premium que o hardware tenta passar. No fim das contas, a Poco mostra que tem fôlego e competência para brigar no andar de cima, oferecendo um intermediário premium que acerta em quase tudo, desde que você tenha um pouquinho de paciência para limpar a interface assim que tira ele da caixa.