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Opinião

Fake News em notas oficiais nos encurralam

Fake News em notas oficiais nos encurralam
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A maré de notícias falsas ou confusas já nos acompanha há quase um ano, desde a pré-campanha eleitoral de 2018 até a própria campanha com mais intensidade, sem lados pra eliminarmos dessa briga.

Que esse tom das ‘fake news’, portanto, seria mantido, acredito que já tínhamos alguma certeza diante do evidente histórico de quem chegou ao poder e ainda se calça pelas redes sociais sem o menor cuidado para comunicar seus desmandos.

Porém, o que me parece ainda mais grave e, em algum momento não previsto, é que lidamos hoje com falsas informações ou inversões de dados em notas oficiais.

O que já era difícil de combater em grupos de WhatsApp me parece encurralar alguma noção de ordem ao vermos essas correntes de informações desencontradas para além do celular: nos próprios ministérios.
 
 Os ditos e ‘não ditos’ pelo Twitter ou WhatsApp já faziam parte dessa realidade confusa, triste talvez, porém, quando passamos a ver vídeos divulgados como se fossem oficiais em que um ministro, com guarda-chuva na mão, ‘denuncia’ o que chama de notícia fake com uma nova notícia fake criada no mesmo vídeo, vejo um nó bastante cruel se criar.

Porque é fato que todos somos responsáveis pelas informações que fazemos circular nas redes, e que neste contexto, esperamos uma seriedade ainda maior de veículos de comunicação na apuração, mas termos que duvidar do que nos dizem aqueles que teoricamente deveriam ter total responsabilidade e coesão nas mãos em um vídeo ‘oficial’ é assustador.

Porque a democracia de fato começa na comunicação limpa que nos parece, cada dia, mais distante.

Governo não é entretenimento.
 
Fazer uso das redes no governo é mais que legítimo - hoje, essa forma é um caminho a se trilhar e, sem dúvida, é como chega-se ao eleitor de forma próxima.

Mas é possível fazer uso com seriedade, caráter, criatividade e como meio até de desconstruir a política de máscaras tão desacreditada.

Porém, ficamos reféns de um ‘tiroteio’ de verdades e não temos sequer uma única fonte, oriunda das pastas, que confirme o que de fato vivemos enquanto novo governo, o que até então, para bem ou para o mal, tínhamos em vídeos transmitidos em rede nacional. 
 
Vamos a exemplos mais práticos: no dia a dia dos poderes, há uma interlocução oficial necessária.

Se já lidamos com tanta desinformação como fruto contraditório do maior acesso que temos às notícias, como será esse desencontro e quais serão os rumos das interpretações quando se trata da comunicação entre governo federal e municípios, sobre programas de governo continuados ou não, sobre políticas públicas que afetam milhares? Como caminha esse diálogo essencial da política, se não se confirmam decisões, são negadas ações que de fato acontecem, se não há mais determinadas pastas a quem prefeitos e vereadores possam procurar e, com isso, perde-se investimentos, recursos necessários às entes federativas? O que quero dizer é que, a despeito de reformas administrativas adotadas, precisamos de organização para que, com ou sem elas, o Brasil que é tão imenso continue a caminhar e não fique empatado em tantos obstáculos primários como o da falta de comunicação real ou manipulação total de informações aos Estados.
 
 No dia a dia dos poderes, por exemplo - o que muitas vezes ainda está bem distante do entendimento da população -, há inúmeras formas oficiais de se questionar os governos, sobretudo no Poder Legislativo, como apelar pedidos aos ministérios por cuidados com determinadas áreas da cidade ou apoiar decisões, repudiar medidas e expressar o que os municípios consideram prioritário.

Tudo isso é feito de forma protocolar, que passa por votações em plenário, por cuidados na elaboração.

Porém, temos o risco de que esses apelos recebam respostas que negam decisões ‘oficialmente’ tomadas.

Há respostas de ministérios que desmentem medidas divulgadas pelo próprio presidente, que contradizem o que publicaram jornais e revistas com números e embasamentos.
 
 A confusão não se esgota aí porque enquanto pastas oficiais negam determinadas medidas, as áreas eventualmente afetadas por tais decisões já sentem os abalos e se mobilizam para que não haja prejuízo em políticas públicas que, independentemente de partidos, funcionavam desde governos anteriores, como são os casos da política nacional antimanicomial e de prevenção às drogas.

A reforma psiquiátrica do País é referência e corre o risco de retroceder como tantas áreas.

Notas técnicas são publicadas e desmentidas e, nesta confusão, ficam desacreditados, por esforços do governo, os profissionais que carregam os dilemas mais profundos do nosso País nas costas.

O governo desacredita causas, como faz com professores e alunos, ao reduzir ações a infantil divisão entre esquerda e direita. 
 
 Enquanto tivermos que lidar com uma comunicação tão diluída, tão confusa, tão desunida, será difícil combater qualquer ‘fake news’ diante da ausência de ao menos uma fonte que nos diga qual rumo real estamos seguindo.

Passamos, infelizmente, a ser um País com inúmeras e ainda mais guerras paralelas que, quando não reconhecidas pelo governo, nos levam à desordem geral e a nenhum um sinal de progresso. 

Autor

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Raquel Loboda Biondi

Jornalista formada pela PUC-SP. Foi repórter do Jornal de Jundiaí, cobriu política até 2016. Atualmente é assessora legislativa na Câmara Municipal de Jundiaí.

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